Texto de Melissa Noguchi, coordenadora local da Oficina de Formação pela Bicicleta NORTE+Maranhão

Belém sediou, durante os dias 20 e 21 de fevereiro, a Oficina de Formação pela Bicicleta Norte+Maranhão, que reuniu cerca de 13 cidades de 4 Estados da Região Norte e Maranhão. O evento visou gerar conhecimento e experiência de técnico(a)s e gestores das prefeituras, bem como de lideranças e membros da sociedade civil que promovem a bicicleta para a inclusão da mesma nas políticas públicas urbanas e sua implementação nas cidades brasileiras. Durante a Oficina foram realizadas dinâmicas práticas de aplicação de pesquisas como contagem, perfil e demanda potencial de ciclistas na cidade, além da elaboração de um Plano de Ação.

Participantes da sociedade civil e gestores públicos da Secretaria de Mobilidade do município (SEMOB), da Secretaria de Esporte e Lazer (SEJEL) e Conselho de Trânsito do Pará (CETRAN/PA) foram às ruas, no primeiro dia do evento para aplicar uma pesquisa piloto, na qual detectou que em apenas 30 minutos, no horário de 12h30 às 13h, 125 ciclistas transitam pela Avenida Magalhães Barata, uma das principais vias da cidade.

A atividade visou sensibilizar os participantes para as ferramentas de coleta de dados, e evidenciar o potencial do fluxo cicloviário da capital. Além da av. Magalhães Barata esquina com a Av. Alcindo Cacela, os grupos realizaram pesquisas na av. Alcindo Cacela, esquina com a João Balbi, onde passaram 53 ciclistas no mesmo tempo de pesquisa. E na Av. José Malcher, com contagem de 100 ciclistas que transitaram durante os 30 minutos.

Para a ciclista e antropóloga Lorena Costa, a experiência da contagem e das outras atividades foram apenas um pontapé inicial. “Agora precisamos aplicar novas pesquisas para levantar mais dados para construir indicadores sequenciais explorando, principalmente, os usos e rotas escolhidas, como por exemplo, muita gente andando na contramão na Magalhães, o que poderia indicar a necessidade de uma rota cicloviária de mão dupla”, finaliza.

Entre os ciclistas pesquisados, 30% informou que utiliza a bicicleta para se deslocar por causa da economia de tempo e dinheiro. A praticidade do veículo foi 26% dos motivos apontados, seguida de saúde, com 17% do total. Já na pesquisa com não ciclistas para identificar a demanda potencial, 51% dos pesquisados informou que não pedala por falta de infraestrutura adequada, enquanto 33% deixa de usar a bicicleta por falta de segurança pública, e 25% pela falta de respeito no trânsito. “As pesquisas mostraram que Belém é uma cidade que pedala muito e que tem potencial para pedalar ainda mais. Como o exemplo de 125 ciclistas que passam na Magalhães Barata ou os mais de 50% que pedalariam nas vias estudadas se houvesse infraestrutura cicloviária,” avalia o coordenador da Campanha Bicicleta nos Planos, João Paulo Amaral.

Para o coordenador técnico do Bicicleta nos Planos, Guilherme Tampieri, o pequeno piloto de contagem e pesquisas de demanda potencial e perfil do ciclista demonstram que há muito a ser explorado em Belém para compreender quem são as pessoas que pedalam, porque fazem isso e quanto tempo. “Daí em diante compreender como a gestão pública pode trabalhar as políticas, juntamente com a sociedade civil, para dar mais segurança, conforto e ciclabilidade a quem usa a bicicleta em Belém e, obviamente, para atrair novas pessoas a utilizarem esse meio de transporte”, afirma.

Belém, uma cidade que pedala!

Tampieri relata que o alto fluxo de ciclistas na cidade o impressionou. “Embora já tenha ouvido falar, fiquei muito encantado com a quantidade de pessoas que pedalam na cidade e especialmente pela diversidade. Tem mães e pais levando filhos, irmão levando irmã. Em uma cidade que tem tanta gente que pedala, deveria ter uma prefeitura dando muito mais atenção à vida dessas pessoas, ao fluxo e à dinâmica que elas dão à cidade. Juntando a quantidade de pessoas que já pedalam, com potencial de trazer novas pessoas, Belém tem um caminho muito grande a percorrer”.

O segundo dia de evento contou com uma visita técnica com as pessoas participantes percorrendo pontos da cidade utilizando bicicletas. A partir das duas experiências práticas da Oficina, do conteúdo ministrado pelos facilitadores, e debates entre as pessoas presentes, foi desenvolvido um Plano de Ação a ser executado na cidade. 

Sobre a Oficina de Formação pela Bicicleta Norte + Maranhão

A oficina, que visa reunir acadêmicos, gestores municipais, gestores estaduais, técnicos públicos e lideranças da sociedade civil que atuam e/ou promovem a bicicleta em cidades do NORTE, está percorrendo as 5 regiões brasileiras com o intuito de propagar e apoiar na atuação, execução e desenvolvimento dos Planos de Mobilidade dos municípios em todo território nacional.