Nos últimos dias 11 e 12 de setembro, logo após ser palco do maior evento sobre bicicletas do Brasil, o Bicicultura, que se encerrou dia 10, a capital pernambucana recebeu a 1ª Oficina de Formação pela Bicicleta, com foco em municípios nordestinos.

A oficina, que faz parte do projeto que também envolve a campanha Bicicleta nos Planos, teve por objetivo gerar conhecimento e experiência no âmbito do planejamento, implantação e monitoramento de políticas de bicicleta, em conexão com outras políticas públicas urbanas.

Com 16 horas de duração, a Oficina contou com a presença de 35 pessoas, de 7 estados nordestinos e cerca de 15 cidades, sendo os presentes integrantes governos municipais e do Estado de Pernambuco, de organizações e movimentos sociais e de empresas, e teve apoio dos parceiros Ameciclo, Instituto da Cidade Pelópidas Silveira e Programa PedalaPE para sua realização.

Ao longo dos dois dias, foram discutidos assuntos relativos às razões para se promover a bicicleta como parte da política de mobilidade urbana de um município, explorando argumentos com relação a custos ambientais e socioeconômicos das cidades e como a bicicleta pode contribuir com estas diferentes agendas.

Além disso, foram abordados e trabalhados os diversos componentes de uma política da bicicleta, além de discutidas estratégias de sua promoção e integração com outras políticas urbanas, como as políticas de saúde, de esporte e lazer, ambientais e de mudanças climáticas ou até mesmo econômicas. Como parte da experimentação prática, foi promovida a dinâmica “Cidade ideal para a bicicleta”, na qual as participantes puderam usar e abusar da imaginação para criar cidades amigas de quem pedala.

 

Em seguida, foram apresentadas ferramentas de planejamento participativo e implementação da bicicleta na cidade, tendo apontadas metodologias práticas de planejar e garantir participação na promoção do uso da bicicleta na cidade.

 

 

Por fim, após as discussões e diálogos teóricos, foi realizado um laboratório prático, por meio de uma visita técnica na cidade para experimentar e explorar as ferramentas propostas no módulo anterior, caminhos possíveis para trabalhar o tema em sua cidade e os desafios, problemas e potenciais soluções para se promover a mobilidade urbana por bicicleta.  A visita, que teve em torno de 10 km de trajeto, foi feita inteiramente em bicicletas e passou por pontos com algum interesse no que tange ao uso da bicicleta e que haviam sido previamente identificados.

 

Como resultado, a oficina gerou uma rede de pessoas que promovem a bicicleta no Nordeste, o compartilhamento de experiências entre gestores públicos e integrantes de movimentos sociais e a difusão de inúmeros conhecimentos, estratégias e táticas para incluir a bicicleta como parte da mobilidade urbana dos municípios que lá estiveram representados.

Conforme afirma uma das participantes, “o conhecimento acerca das estratégias de conversa entre poder público X sociedade civil e os exemplos práticos de outras cidades onde a bicicleta está presente nos Planos, isso será crucial no diálogo que pretendemos firmar com a Prefeitura de Campina Grande.

A quem possa interessar, a oficina foi baseada, entre outras referências, nos seguintes materiais:

Sobre a campanha Bicicleta nos Planos: realizada pelo Bike Anjo e UCB (União de Ciclistas do Brasil), visa estimular municípios que têm mais de 20 mil habitantes a contemplarem a bicicleta como meio de transporte prioritário no seu Plano de Mobilidade Urbana. De acordo com a Política Nacional de Mobilidade Urbana – PNMU – Lei 12.587/2012, municípios com mais de 20 mil habitantes têm até abril de 2018 para apresentar projeto de mobilidade urbana.